Núcleo de Investigação e Pesquisa em Psicanálise e Saúde Mental

 

1º semestre/ 2024

Coordenadora:

Coordenadora adjunta:

 

As especificidades da clínica hoje

 

Ementa: Na rede assistencial de saúde mental, atualmente, há um desinteresse na construção do caso clínico e a prevalência do caso social e das classificações universalizantes que fixam o sujeito em seu gozo. Mas, os analistas seguem acreditando que podem se manter nos dispositivos de saúde mental, onde há lugar para vários.

Para Miller (1993), não há nenhuma dificuldade em incluir a psicanálise dentro das práticas de saúde mental desde que haja um estado de direito. A psicanálise “é um tratamento que se dirige ao sujeito de direito, ... que responde pelo que faz e pelo que diz até o ponto de saber que, se não pode fazê-lo as coisas não vão bem.” (MILLER, 1999, p. 23). Os psicanalistas têm a experiência de escutar como os sujeitos, um por um, podem encontrar sua solução própria, para além dos grandes discursos identificatórios presentes na sociedade, nas identificações que lhes são transmitidas pela família. Na experiência analítica, o sujeito procura uma solução viável ao exercício de seu direito ao gozo. É essa experiência que os psicanalistas podem transmitir a outras disciplinas, a outros discursos, contribuindo para que os outros não se esqueçam da particularidade de cada um.

Nessa direção, Alvarenga (1998) refere que o trabalho de um analista nas instituições pode ser comparado ao do artista, na medida em que ele opera pela via da invenção. Na ausência de respostas prontas, um trabalho artesanal da clínica surge a partir da direção apontada pelo sujeito. Ao analista cabe garantir que sua singularidade não seja apagada e silenciada pelo ideal da instituição. 

Ao longo do tempo, observa-se que entre os interessados em participar das atividades do Núcleo de Investigação em Psicanálise e Saúde Mental do IPSMMG, alguns trabalham nos serviços públicos de atenção à saúde mental, outros estão nas clínicas das universidades, outros nos consultórios. O que eles escutam nesses lugares? O que eles transmitem de humanidade? Qual o valor que a psicanálise poderá adquirir para quem busca um atendimento em serviços de saúde mental? O que a psicanálise teria a aprender com aqueles que trabalham e são atendidos nesses serviços?

 

Referências de leitura

ALKMIM, W. (org.). Carlo Viganó: Novas Conferências. Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2012.

ALVARENGA, C. A prática da psicanálise nas instituições: o que o Ateliê ensina. In: Almanaque de Psicanálise e Saúde Mental. v.1.n.1 (nov. 1998), p. 15.

BENETI, A. Porque Instituto de Psicanálise e Saúde Mental, 2023. https://www.institutopsicanalise-mg.com.br/index.php/2-uncategorised/39-psicanalise-saude-mental>. Acesso em 11/12/2023.

MILLER, J. A. Saúde Mental e Ordem Pública, Curinga, Belo Horizonte: Escola Brasileira de Psicanálise – Seção Minas, n.1, 1993, p. 20-31.

VIEIRA, M. A. Extimidades. In: Correio, São Paulo: Escola Brasileira de Psicanálise, n.82, 2019, p.29-34.

 

PROGRAMA: 

MARÇO

26/03/24 

Seminário Teórico: As instituições de saúde mental: discursos presentes e amarrações possíveis.

Apresentação: Bernardo Micherif Carneiro

Coordenação: Jeannine Narciso

Comentário: Maria Helena Fonseca

Às 20:00 h

Presencial e pelo Zoom

 

ABRIL 

16/04/24

Seminário clínico: Impasses da clínica das psicoses em instituições de saúde mental hoje.

Apresentação de Caso: Luciana Ribeiro Barbosa do Centro de Atenção Psicossocial Florecer

Comentário: Helenice Saldanha de Castro

Às 20:00 h

Presencial e pelo Zoom

 

MAIO

21/05/24:

Seminário teórico-clínico: A escuta da criança falada por muitos na clínica em saúde mental

Apresentação de Caso: Silvia Reis Soares do Ambulatório de Saúde Mental da RAPS Montes Claros

Comentário: Mônica Hage – EBP/BA

 

JUNHO

25/06/24

Seminário Teórico: A rede e a construção do caso clínico na política da Saúde Mental

Apresentação: Wellerson Alkmim – EBP MG

Comentário: Andrea Guisolli

CASTANET, H. & DE GEORGES, P. (Relatores). Seção Clínica de Aix-Marseille e Antenne Clinique de Nice: Ligamentos, desligamentos e religamentos. In: BATISTA, M. C. D. & LAIA, S. (Orgs.). A psicose Ordinária. Belo Horizonte: Scriptum Livros, 2012, p. 21-26.

 

 

 

 

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