Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
 
 

> Publicações
Almanaques: 01 - 02 - 03 - 04 - 05 - 06 - 07 - 08 - 09 - 10

Almanaque 08


A escrita em Psicanálise

Editorial

Mesa Redonda: O que é escrever em psicanálise?

Escrita
Célio Garcia

Colocar a psicanálise no cerne da política
Jésus Santiago

O que significa escrever em psicanálise?
Antônio Teixeira

Estilo e transmissão
Lúcia Grossi

Em torno da questão do estilo
Francisco Hugo Freda

Resposta a Hugo Freda
Jô Attié

A retomada contemporânea dos estudos retóricos
Sérgio de Castro

Revisitando a travessia
Márcia de Souza Mezêncio

Clínica psicanalítica, investigação, escritos e escritores
Márcia Rosa

O paradigma Lol V. Stein
Elisa Alvarenga

Poética pulsional
Éric Laurent.

Como Adquirir seu exemplar?




Editorial

"Essa loucura que é escrever"

Tendo sido até agora um porta-voz das produções advindas das várias atividades do Instituto, com este número o Almanaque de Psicanálise e Saúde Mental introduz algo novo: a publicação de uma elaboração orientada sobre um tema. O tema escolhido - a escrita em psicanálise - mostrou-se de interesse do Instituto tanto nas suas atividades clínicas quanto de ensino. Para trabalhá-lo, uma mesa redonda foi realizada; traduções de textos de colegas de outra Escola foram feitas; uma resenha, trazendo a conexão da psicanálise com a escrita literária, e textos específicos sobre o tema foram produzidos.

No que se segue, observa-se a referência a vários escritores a partir de cuja letra um saber sobre pontos-limite do discurso psicanalítico pôde ser formulado. Assim é que com Lol V. Stein, Marguerite Duras nos dá elementos para a formulação de um paradigma do estado intermediário da teoria lacaniana, entre o momento estrutural e o borromeano. Jean Genet, por sua vez, com a sua "moral louca", permite-nos ler a posição de um sujeito que assume sua responsabilidade para com o gozo. Já em Franz Kafka, é o "uso intensivo, assignificante da língua", manifestação do que Lacan mencionou como lalangue, "alíngua", que se destaca. Ainda na conexão com a literatura, desta vez sob um outro ângulo, indaga-se: haveria uma travessia do fantasma na escrita?

Em um confinium indeterminado entre o estágio estético da criação (escrito literário) e o estágio ético do engajamento (artigo científico), encontramos o ensaio, escritura experimental, que nos leva a considerar a "ensaística" de Freud e de Lacan. Indaga-se ainda se, além de ensaístas, Freud e Lacan teriam sido investigadores. Ressalta-se, então, que a escrita em psicanálise traz a marca da conjectura, das ciências conjecturais.

Nascida no seio da retórica clássica, a questão do estilo (léxis) nos permite afirmar que o ensino de Lacan tem importância fundamental na retomada atual dos estudos retóricos. Nesse sentido é interessante lembrar que, além de retomar a lista de disciplinas consideradas por Freud como importantes na formação do analista (história da civilização, mitologia, psicologia das religiões, história e crítica literária), Lacan acrescenta a ela a dialética, nos Tópicos de Aristóteles, a gramática, a poética, que incluiria a técnica do chiste, e a retórica.(1) Dada a importância da questão do estilo para a psicanálise retornamos a ela, acentuando tanto o endereçamento quanto o objeto, conforme as duas fórmulas de Lacan: "o estilo é o homem ao qual nos endereçamos" e "é o objeto que responde à questão do estilo".

Se o estilo pode ser uma forma de gozo ou uma forma de "se virar" com o sintoma, não deixa de ser interessante a proposta de se "fazer poética" da exigência do sintoma.

O nosso convite é que você entre conosco na discussão dessa instigante temática: a escrita em psicanálise.

Márcia Rosa

1.LACAN, Jacques. Escritos. Rio de Janeiro: JZE, 1998. p. 289.


ao topo


 

Almanaque 08
novembro de 2002

EBP-MG - Rua Felipe dos Santos, nº 588 - Bairro de Lourdes, Belo Horizonte/ MG - Brasil. Telefone: 55(31)3275-3873

© 2007, Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de MG. Todos os direitos reservados. Design por João Carlos Martins.