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Núcleos - Agenda 2011 - 2º semestre
EDITORIAL
Há pouco mais de um ano, às vésperas do Congresso da AMP em Paris, um vulcão
islandês em erupção espalhou suas cinzas pelos céus europeus, ameaçando impedir-nos de
viajar até o último momento. Ao fi nal do Congresso, ao abordar o tema da ordem simbólica no
século XXI, Mauricio Tarrab falava sobre a indiferença do vulcão, metáfora de um real indiferente
às fi cções de nossa época, assim como às afl ições dos pobres seres falantes. Pouco mais de um
ano depois, às vésperas do V Encontro Americano de Psicanálise de Orientação Lacaniana –
ENAPOL, realizado no Rio de Janeiro, a fúria de um vulcão chileno coloca em colapso o tráfego
aéreo no Cone Sul, impedindo a viagem de inúmeros colegas argentinos e o retorno de outros
tantos que lograram chegar ao Rio. Já não tão seguros da indiferença do vulcão, mas antes de sua
fúria, damo-nos conta da precariedade da nossa realidade diante das forças da natureza, como
nos mostrou também recentemente o desastre nuclear acontecido no Japão.
Mais próximo de nós, o Instituto de Psicanálise e Saúde Mental de Minas Gerais levou
à Conversação dos Institutos do Campo Freudiano no Brasil, realizada no Rio, na véspera do
ENAPOL, um pequeno texto, “A psicanálise nos costumes”, em que Lucíola Macêdo refl ete
sobre a preocupação de Lacan com a repetição de um fracasso: a estagnação do pensamento
psicanalítico. Ele nos convoca a lutar contra a inércia dos hábitos mentais dos psicanalistas, ao
mesmo tempo que nos alerta contra outra modalidade do fracasso, aquele advindo do êxito
social e terapêutico da psicanálise. Se a “peste” freudiana já não é tão virulenta, é porque,
como nos apontou Jacques-Alain Miller, em Comandatuba, a contemporaneidade está em
consonância com o discurso analítico, no qual o objeto a está em posição de agente: ou seja,
a pulsão e o corpo estão em primeiro plano. Nosso Instituto se situa na intersecção entre
o sintoma e a instituição e nos convoca a trabalhar, neste semestre, o tema do próximo
Congresso da AMP: a precariedade do simbólico em nosso século e suas consequências
na prática psicanalítica. Ao sairmos de um Encontro no qual se inscreveram 400 colegas
argentinos, 70 da NEL e cerca de 1.000 colegas de todo o Brasil, em que cada um colocou
algo de sua própria enunciação, convidamos todos os interessados a encontrar, em nosso
programa, aquilo que os toca particularmente: desde as Lições Introdutórias, que verifi carão
as incidências clínicas da pulsão de morte, passando pelo Curso de Psicanálise, que inicia
uma nova turma, até as atividades da Seção Clínica – Núcleos de Pesquisa, Apresentação
de Pacientes e conversações – e, fi nalmente o Atelier de Psicanálise Aplicada, no qual cada
um poderá problematizar sua própria prática. O Almanaque continuará a publicar textos e
entrevistas de nosso interesse, além da produção de nossos docentes e alunos, enquanto as
Conversações Clínicas abrirão, por mais um semestre, novas perspectivas.
Sejam bem-vindos!
Elisa Alvarenga
Diretora-Geral do IPSM-MG