> Seção Clínica
Núcleos - Agenda 2011 - 2º semestre
ATIVIDADES DA SEÇÃO CLÍNICA
Coordenação: Henri Kaufmanner
A PRECARIEDADE DO SIMBÓLICO EM NOSSOS TEMPOS E SUAS CONSEQUÊNCIAS
Jacques-Alain Miller, ao comentar para a revista semanal Le Point os acontecimentos
envolvendo o ex-diretor gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, defende a ideia de que a
sociedade está bem acostumada à presença do inconsciente, particularmente quando este
se revela no que ele delimita como sendo o
lapsus.
Se, por acaso, uma fi gura política, em uma aparição pública, viesse a falar da infl ação,
mas, por um ato falho, falasse da “felação”, tal deslize, por mais que produzisse efeitos cômicos
e mesmo uma certa ridicularização, certamente não destruiria sua carreira. O ato apenas
comprovaria a divisão do sujeito, revelando uma verdade oculta, e, por mais que alguma
degradação de sua imagem pública pudesse acontecer, tal estrago seria efêmero.
Entretanto, lembra Miller, o mesmo não poderia ser verifi cado se essa mesma palavra
tivesse uma força de injunção que se fi zesse presente diretamente sobre o corpo. O
imperativo de gozo e suas exigências de satisfação imediatas resultariam numa passagem ao
ato sem qualquer efeito humorístico.
Tal acontecimento não seria nada excepcional. “As prisões estão repletas desses
infelizes em que a exigência incondicional da pulsão de morte não é tamponada, temperada,
freada, repartida, canalizada pelos deslocamentos, pelas sublimações, pelas fi guras diversas
da retórica, metáforas, metonímias, todo o sistema de eclusas e de diques que constituem a
arquitetura de uma bela e boa neurose”.1
Desde Freud conhecemos os efeitos nada excepcionais da pulsão de morte e como
sua presença exigiu toda uma nova formalização da psicanálise, do estatuto do inconsciente
ao do sintoma.
A novidade, em nosso tempo, é que o mundo contemporâneo é menos tolerante à pulsão.
Assim, esses infelizes sujeitos, nos quais a força libidinal do sintoma é como que colocada a nu,
acabam indo para a prisão. Por mais que tenha havido uma liberalização dos muros, isso se deu em
um mundo que exige tudo ver e que zela pela igualdade de condições, pelos direitos dos indivíduos.
Um mundo politicamente correto, inundado pelas mais diversas formas de judicialização.
A pulsão, contudo, não negocia e mantém sua demanda imperativa. Nesse mundo
onde prevalece a precariedade simbólica, ela vai além do lapsus, não se contentando com a
verdade, indo ao raptus, no qual o que se coloca em jogo é o real. Se, no lapsus, o sujeito se
trai, no raptus, ele se destrói.
Esse é o ambiente que inspira nossa investigação neste semestre. Quais as possibilidades
da psicanálise e seus praticantes, num tempo em que a precariedade simbólica favorece o
domínio da pulsão de morte e, consequentemente, a prevalência do raptus, numa sociedade
dominada por instituições tão “justas”?
1 MILLER, Jacques-Alain. DSK, entre Eros et Thanatos.
Le Point, n.2018, 19 mai 2011. p.48,
2.1 CONVERSAÇÕES DA SEÇÃO CLÍNICA
Abertas aos inscritos na Seção Clínica e/ou no Curso de Psicanálise do IPSM-MG, mas
no limite de lugares disponíveis.
Setembro
1a
CONVERSAÇÃO
Dia 10, Sábado
O tema será divulgado no início do semestre
Novembro
2a
CONVERSAÇÃO
Dia 5, Sábado
O tema será defi nido ao longo do semestre
Horário: 9h
Local: sede do IPSM-MG
Observação importante: O comparecimento em uma conversação não é prérequisito
para o comparecimento na outra.
2.2 APRESENTAÇÕES DE PACIENTES E ENTREVISTAS DE
ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA
Abertas aos inscritos na Seção Clínica e/ou no Curso de Psicanálise do IPSM-MG,
mas
no limite de lugares disponíveis em cada local de sua realização e conforme as inscrições
específi cas em cada Núcleo.
A “Apresentação de Pacientes” é uma prática que foi mantida por muito tempo
por psiquiatras sobretudo para investigação do diagnóstico e do prognóstico de casos
considerados “difíceis”, “raros” ou “paradigmáticos”, evocando, assim, o que a clínica médica
não-psiquiátrica ainda designa como “corrida de leito”. No âmbito da psicanálise, essa prática
foi renovada por Jacques Lacan, ao longo de seu ensino. Por sua vez, Jacques-Alain Miller1
ressalta-nos algumas proposições com base em sua participação nas apresentações de
pacientes realizadas por Lacan:
A) Quem assiste a uma tal prática fi ca em silêncio e forma uma espécie de doxa, de
“opinião pública” com relação ao que se passa entre o paciente e aquele que o entrevista:
espera-se que, depois, possa ser esclarecido um diagnóstico, orientado um tratamento cuja
complexidade ou difi culdade justifi cou o encaminhamento do paciente a tal Apresentação.
B) Ainda que o diagnóstico possa ser “determinado nos termos mais clássicos, alguma
coisa sempre permanece em suspenso quanto ao sentido”, podendo nos orientar, por
exemplo, quanto à dimensão real e incurável de um sintoma, de uma problemática subjetiva
ou institucional, de um impasse concernente ao laço social, etc.
C) Ao promover e enfatizar, quanto ao paciente, o acesso à palavra, a apresentação
resgata-lhe a função de sujeito que fala e, além de contribuir para seu tratamento, pode ajudar
àqueles que trabalham com ele a esclarecer como sintomas e difi culdades de inserção não
deixam de ser “saídas” que alguém pode paradoxalmente encontrar para seus impasses.
D) Ao “buscar a certeza” em jogo no que um paciente diz ao ser entrevistado, procurase
cingir sua relação com o saber e com o Outro, sua economia libidinal, enfi m, seu modo de
vida, para que essa elucidação possa orientar o prognóstico clínico de seu caso.
Na Seção Clínica do IPSM-MG, nem sempre essas atividades comuns a todos os
Núcleos de Pesquisa serão realizadas com usuários de serviços de Saúde Mental. Respeitadas
as particularidades que essa diferença impõe e orientados pelo estilo proposto por Lacan para
sua “Apresentação de paciente”, temos as Entrevistas de Orientação Psicanalítica com as quais
podemos ampliar o alcance desse dispositivo, para uma campo situado fora da abrangência de
um serviço de saúde, mas que pode também se benefi ciar da ação lacaniana.
1 MILLER, Jacques-Alain. Lições sobre a apresentação de doentes. In: ______.
Matemas I. Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Editor, 1996. p.138-149.
Entrevista de orientação psicanalítica com crianças
Data: a ser defi nida durante o semestre
Horário: a ser defi nido durante o semestre
Local: Hospital Infantil João Paulo II – FHEMIG (antigo CGP)
Endereço: Alameda Ezequiel Dias, 345 (atrás do Parque Municipal)
Novembro
Apresentação de paciente no Centro de Referência em Saúde Mental
Região Noroeste (CERSAM-Noroeste)
Dia 11, sexta-feira
Horário: 10h
Local: Auditório do CERSAM-Noroeste
Endereço: Rua Caramugi, n°10, Padre Eustáquio, Belo Horizonte
Apresentação de paciente no Hospital das Clínicas (HC)
Dia 11, sexta-feira
Horário: 16h30min
Local: Faculdade de Medicina da UFMG
Entrevista de orientação psicanalítica com um adolescente em
cumprimento de medida socioeducativa
Dia 23, quarta-feira
Horário: 9h30min
Local: Unidade de Medida Socioeducativa - SUASE/SEDS
Dezembro
Apresentação de paciente no Núcleo de Investigação em Psicanálise
e Saúde Mental – Montes Claros
Dia 03, sábado
Horário: a ser defi nido durante o semestre
Local: a ser defi nido durante o semestre
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